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Banda Larga

Anid lança 2ª etapa do "Projeto Nacional de Fibra Óptica em Domicílio"

"A inclusão digital passa pelo apoio ao serviço dos provedores de Internet", declara Percival Henriques, presidente da Anid, durante o lançamento do Projeto Nacional de Fibra Óptica em Domicílio. O lançamento ocorreu no Nau Restaurante, em João Pessoa, com a presença de 49 representantes de provedores regionais de Internet e a realização do seminário “Treinamento em FTTH” ministrado por Anna Xu, diretora de Mercado Externo da C-Data Technology.

Após, provedores de Pernambuco (PE), Rio Grande do Norte (RN), Ceará (CE) e Paraíba (PB), que levam Internet para mais de 80 mil usuários, se reuniram na Anid para estudar propostas de compra conjunta de equipamentos de acesso à banda larga. A busca por soluções de acesso à banda larga e redução de custos por meio da importação direta é uma das propostas da segunda fase do Projeto Nacional de Fibra Óptica em Domicílio.

O projeto visa ampliar o acesso de domicílios à banda larga através de fibra óptica. Na primeira fase, os provedores associados à Anid atenderam mais de um milhão de residências no Brasil. A meta, agora, é alcançar os 46% dos domicílios no Brasil que ainda não têm acesso à Internet. Percival Henriques salientou que a Anid já passou por experiências exitosas de compra conjunta de banda e de rádios transmissores. “Nossa proposta agora é formar grupos de provedores para adquirir em conjunto equipamentos para o acesso à banda larga diretamente com o fornecedor”, explicou.

Anna Xu, da C-Data, uma empresa chinesa de dispositivos para o acesso à banda larga, parceira da Anid nesse projeto, espera fortalecer a participação da companhia no Brasil: “Esta foi a primeira vez que fizemos um seminário no 

Brasil e temos uma posição muito positiva com relação a esta parceria que estamos fazendo com a Anid. Acreditamos que depois desse seminário negociaremos 32 mil peças nos próximos dois meses. Nosso preço é muito competitivo e nosso produto tem estabilidade, é amistoso.”

Provedores avaliam a proposta

O provedores de serviços de Internet se mostram interessados na proposta. Leonardo Lins, do provedor Tele, de João Pessoa, afirma que “fazer a rede de acesso do provedor até a casa do cliente é a parte mais cara do serviço. Tudo o que se puder baratear nesse ponto é válido. Mas o desafio é grande”. Alcimar Cortês Cortes Online, de São José Mipibu, no Rio Grande do Norte, aprova: “Já participei de outras seções de compra conjunta e é muito bom, tanto para o fornecedor quanto para o grupo que está comprando, obtém um preço diferenciado e prazo de pagamento, pela quantidade.”

De Juazeiro do Norte, no Ceará, José Maria de Lucena, do provedor Link Cariri, saiu às 4h da manhã e rodou mais de 650 quilômetros para conferir a proposta:

“A iniciativa é positiva. Fizemos algumas compras em conjunto, conhecemos a Anid desde a época da fundação. A primeira experiência foi por volta de 2008, pagávamos R$ 3 mil por 1M para a Embratel, única fornecedora. A Anid fechou um acordo com a Intelig, uma operadora que foi vendida para a Tim. A Intelig tinha uma rede que cruzava o Brasil de Norte a Sul, mas não abria acesso à rede ao longo dessa rede. A Anid conseguiu abrir os armários em cidades próximas e nós puxamos a rede de Iguatu, no Ceará. Entramos na segunda rodada da Anid, compramos a R$ 350,00 o mega depois caiu para R$180,00.

Teve um impacto muito positivo. Não foi fácil, porque tínhamos que fazer três enlaces com rádio ao longo do caminho para retransmitir o sinal até chegar à Juazeiro, cerca de 90km. O maior investimento era com o rádio. Participamos de compras conjuntas de rádio também, com a Anid, os que usamos até hoje.”

Segundo Percival Henriques, o grupo de provedores decidiu organizar e compartilhar uma tabela com os dispositivos e os interessados, com as quantidades, para enviar posteriormente à C-Data e iniciar as negociações. “Nós somos uma associação para inclusão digital e entendemos que o acesso de milhares de pessoas no interior do Brasil só existe porque os pequenos provedores estão no mercado, levando as redes Brasil à dentro. Portanto, é fundamental realizarmos ações nesse sentido, além de cursos e projetos de distribuição de Internet gratuita, como temos feito”, arremata Percival.

Fotos: Renata Abrantes